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History anonymous dos alcoholics
em sua área
History dos alcoholics anonymous em
Brasil
http://www.alcoolicosanonimos.org.br/informacoes/historia.htm
Informação
histórica: O Nascimento de A.A. e seu Desenvolvimento
nos EUA/Canadá e sua Chegada ao Brasil
A) O NASCIMENTO
DE A.A.
E SEU DESENVOLVIMENTO NOS EUA/CANADÁ
Alcoólicos
Anônimos
iniciou-se em 1935, em Akron, Ohio, com o encontro de Bill
W., um corretor da Bolsa de Valores de Nova Iorque, e o
Dr. Bob, um cirurgião de Akron. Ambos haviam sido alcoólicos
desenganados.
Antes
de se conhecerem, Bill e o Dr. Bob tinham tido contato com
o Grupo Oxford, uma sociedade composta, em sua maior parte,
por pessoas não alcoólicas, que defendia a aplicação de
valores espirituais universais na vida diária. Naquela época,
os Grupos Oxford da América eram dirigidos pelo renomado
clérigo episcopal Dr. Samuel Shoemaker. Sob sua influência
espiritual, e com a ajuda de seu velho amigo, Ebby T., Bill
havia conseguido sua sobriedade e vinha mantendo sua recuperação
trabalhando com outros alcoólicos, apesar do fato de que
nenhum de seus "candidatos" haver se recuperado.
Entretanto, o fato de ser membro do Grupo Oxford não havia
oferecido ao Dr. Bob a suficiente ajuda para alcançar a
sobriedade.
Quando
finalmente o Dr. Bob e Bill se conheceram, o encontro produziu
no Dr. Bob um efeito imediato. Desta vez encontrava-se cara
a cara com um companheiro alcoólico que havia conseguido
deixar de beber. Bill insistia que o alcoolismo era uma
doença da mente, das emoções e do corpo. Esse importantíssimo
fato fora-lhe comunicado pelo Dr. William D. Silkwoth, do
Hospital Towns, de Nova Iorque, instituição em que Bill
fora internado várias vezes. Apesar de médico, o Dr. Bob
não tivera conhecimento de que o alcoolismo era uma doença.
Bob acabou convencido pelas idéias contundentes de Bill
e logo alcançou sua sobriedade, e nunca mais voltou a beber.
Ambos
começaram a trabalhar imediatamente com os alcoólicos internados
no Hospital Municipal de Akron. Como conseqüência de seus
esforços, logo um paciente alcançou sua sobriedade. Apesar
de ainda não existir o nome Alcoólicos
Anônimos, esses três homens constituíram
o núcleo do primeiro Grupo de A.A. No outono de 1935, o
segundo Grupo foi tomando forma gradualmente em Nova Iorque.
O terceiro Grupo iniciou-se em Cleveland, em 1939. Havia-se
gasto mais de quatro anos para conseguir 100 alcoólicos
sóbrios, nos três Grupos iniciais.
Em
princípio de 1939, a Irmandade publicou seu livro de texto
básico, Alcoólicos Anônimos.
Nesse livro, escrito por Bill, expunha-se a filosofia e
os métodos de A.A., a essência dos quais se encontram agora
nos bem conhecidos Doze Passos de recuperação. A partir
daí, A.A. desenvolveu-se rapidamente.
Também
em 1939, o Cleveland Plain Dealer publicou uma série
de artigos sobre Alcoólicos
Anônimos, seguida por alguns editoriais muito
favoráveis. O Grupo de Cleveland, composto por uns 20 membros,
logo se viu inundado por incontáveis pedidos de ajuda. Os
alcoólicos que chegavam, logo após algumas semanas de sobriedade,
eram encarregados de trabalhar com os novos casos. Com isso,
deu-se ao movimento uma nova orientação, e os resultados
foram fantásticos. Passados poucos meses, o número de membros
de Cleveland havia crescido para 500. Pela primeira vez
havia evidência de que a sobriedade poderia multiplicar-se,
em massa.
Enquanto
isso, o Dr. Bob e Bill haviam estabelecido em Nova Iorque,
em 1939, uma Junta de Custódios para ocupar-se da administração
geral da Irmandade recém-nascida. Alguns amigos de John
Rockefeller, Jr. integravam esse conselho, junto com alguns
membros de A.A. Deu-se à Junta o nome de Fundação Alcoólica.
No entanto, todas as tentativas de se conseguir grandes
quantias de dinheiro fracassaram porque o Sr. Rockfeller
havia chegado à conclusão prudente de que grandes somas
poderiam atrapalhar a nascente Irmandade. Apesar disso,
a Fundação conseguiu abrir um pequeno escritório em Nova
Iorque, para responder aos pedidos de ajuda e de informações
e para distribuir o livro de A.A., um empreendimento, diga-se
de passagem, que havia sido financiado principalmente pelos
membros de A.A.
O
livro e o novo escritório logo se revelaram de grande utilidade.
No outono de 1939, a revista Liberty publicou um
artigo sobre Alcoólicos Anônimos e, como conseqüência, logo
chegaram ao escritório cerca de 800 urgentes pedidos de
ajuda. Em 1940, o Sr. Rockfeller organizou um jantar, para
dar divulgação à A.A., ao qual convidou muitos de sus eminentes
amigos nova-iorquinos. Esse acontecimento suscitou outra
onda de pedidos. Cada pedido era respondido com uma carta
pessoal e um pequeno folheto. Além disso, fazia-se menção
ao livro Alcoólicos Anônimos e logo começou-se
a distribuir numerosos exemplares do livro. Ao final do
ano, A.A. já tinha 2.000 membros.
Apareceu
então, em março de 1941, no Saturday Evening Post,
um excelente artigo sobre Alcoólicos Anônimos e a reação
foi tremenda. No final daquele ano o número de membros subira
a 6.000 e o número de Grupos multiplicara-se proporcionalmente.
A Irmandade crescia a passos gigantescos por todas as partes
dos EUA/Canadá.
Em
1950, havia no mundo inteiro perto de 100 mil alcoólicos
em recuperação. Por mais impressionante que tenha sido esse
desenvolvimento, a década de 1940 a 1950 foi de grande incerteza.
A questão crucial era se todos aqueles alcoólicos volúveis
poderiam viver e trabalhar juntos em seus Grupos. Poderiam
manter-se unidos e funcionar com eficácia? Esta pergunta
ainda pairava sem resposta. Manter correspondência com milhares
de Grupos relativamente a seus problemas particulares chegou
a ser um dos principais trabalhos do escritório de Nova
Iorque.
Não
obstante, no início de 1946, já era possível tirar algumas
conclusões bem razoáveis sobre as atitudes, costumes e funções
que se ajustariam melhor aos objetivos de A.A. Esses princípios,
que haviam surgido a partir das árduas experiências dos
Grupos, foram codificadas por Bill, sendo hoje conhecidos
pelo nome de As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Em
1950, o caos dos anos anteriores quase havia desaparecido.
Havia-se conseguido enunciar e por em prática, com êxito,
uma fórmula segura para a unidade e o funcionamento de A.A.
(Ver a Estrutura de Serviços Gerais dos EUA/Canadá.)
Durante
essa frenética década, o Dr. Bob dedicava seus esforços
ao assunto da hospitalização dos alcoólicos e à tarefa de
incutir-lhes os princípios de A.A. Os alcoólicos chegavam
em grande número a Akron para obter cuidados médicos no
Hospital Saint Thomas, uma instituição administrada pela
Igreja Católica. O Dr. Bob se integrou ao corpo médico desse
hospital e ele e a irmã Ignatia, também do pessoal do hospital,
prestaram cuidados médicos e indicaram o programa a cerca
de 5.000 alcoólicos internados. Após a morte do Dr. Bob,
em 1950, a irmã Ignatia seguiu trabalhando no Hospital da
Caridade, em Cleveland, onde contava com a ajuda dos Grupos
de A.A. locais e onde outros 10.000 alcoólicos internados
encontraram Alcoólicos Anônimos pela primeira vez. Esse
trabalho foi um grande exemplo de boa vontade, que permitiu
comprovar que A.A. cooperava eficazmente com a medicina
e a religião.
Naquele
ano, Alcoólicos Anônimos realizou em Cleveland sua primeira
Convenção Internacional. Nessa Convenção o Dr. Bob fez seu
último ato perante a Irmandade e, em sua fala de despedida,
se deteve na necessidade de se manter simples o programa
de A.A. Junto com os outros participantes, ele viu os Delegados
aprovarem entusiasmados As Doze Tradições de A.A., para
uso permanente da Irmandade em todo o mundo. Faleceu em
16 de novembro de 1950.
No
ano seguinte, ocorreu outro acontecimento muito significativo.
As atividades do escritório de Nova York haviam sido grandemente
ampliadas e passaram a incluir trabalhos de relações públicas,
conselhos aos novos Grupos, serviços em hospitais, nas prisões,
junto aos Internacionalistas e Solitários e cooperação com
outras agências no campo do alcoolismo. O escritório também
publicou livros e folhetos "padrão" de A.A. e
supervisionava a tradução dessas publicações para outros
idiomas. Nossa revista internacional, A.A. Grapevine,
já tinha uma grande circulação. Essas atividades, e outras
mais, se tornaram indispensáveis para A.A. em sua totalidade.
Não
obstante, esses serviços vitais estavam ainda em mãos de
uma isolada Junta de Custódios, cujo único vínculo com a
Irmandade havia sido Bill e o Dr. Bob. Como os co-fundadores
haviam prevista alguns anos atrás, era imperativo vincular
os Custódios dos Serviços Mundiais de A.A. (hoje a Junta
de Serviços Gerais de A.A.) à Irmandade a qual serviam.
Para isso, convocou-se uma reunião de Delegados de todos
os estados e províncias dos EUA/Canadá. Assim constituído,
esse organismo de serviços mundiais se reuniu pela primeira
vez em 1951. Apesar de certa apreensão suscitada pela proposta,
a assembléia teve grande êxito. Pela primeira vez, os Custódios,
anteriormente isolados, eram diretamente responsáveis perante
A.A. na sua totalidade. Havia-se criado a Conferência de
Serviços Gerais de A.A. e dessa maneira assegurado o funcionamento
global de A.A. para o futuro.
A
segunda Convenção Internacional teve lugar em Saint Louis,
em 1955, comemorando os 20 anos da Irmandade. Naquela época,
a Conferência de Serviços Gerais já havia demonstrado seu
real valor. Nessa ocasião, em nome de todos os pioneiros
de A.A., Bill transferiu à Conferência e a seus Custódios
a futura vigilância e proteção de A.A. Nesse momento a Irmandade
tomou posse daquilo que era seu: Alcoólicos Anônimos atingiu
sua maioridade.
Se
não fosse pela ajuda dos amigos de A.A. nos seus primeiros
dias, é provável que Alcoólicos Anônimos nunca tivesse existido.
E se não contasse com a multidão de amigos que, desde então,
têm contribuído com seu tempo e sua energia - especialmente
nossos amigos da medicina, da religião e dos meios de comunicações
- A.A. nunca poderia ter crescido e prosperado. A Irmandade
expressa sua perene gratidão pela amistosa ajuda.
No
dia 24 de janeiro de 1971, Bill faleceu de pneumonia em
Miami Beach, Flórida, onde - havia sete meses - pronunciara
diante da Convenção Internacional do 35º aniversário suas
últimas palavras aos companheiros de A.A.: "Deus os
bendiga, a vocês e a Alcoólicos
Anônimos, para sempre."
Desde
então A.A. se tornou uma Irmandade mundial, demonstrando
que a maneira de viver de A.A. hoje pode superar quase todas
as barreiras de raça, de credo e de idioma. A Reunião de
Serviço Mundial, realizada pela primeira vez em 1969, vem
ocorrendo a cada dois anos desde 1972, alternando sua sede
entre Nova Iorque e uma cidade de outro pais. Os Delegados
à RSM reuniram-se em Londres (Inglaterra); Helsinki (Finlândia);
San Juan del Rio (México); Guatemala (Guatemala); Munique
(Alemanha) e Cartagena (Colômbia).
B)
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL
ASPECTOS
HISTÓRICOS DE A.A. NO BRASIL - DIFÍCIL COMEÇO
Corria
o ano de 1945, um membro viajante norte-americano, de nome
Bob Valentine, amigo de Bill W., de passagem pelo Rio de
Janeiro, então capital nacional, conhece uma pessoa também
americana (não está totalmente definido se era homem ou
mulher), com o nome de Lynn Goodale. Após uma conversa com
Bob Valentine, Lynn encontra a sobriedade.
A
Fundação do Alcoólico era a responsável direta pela correspondência
de Alcoólicos Anônimos
com a sociedade e o elo entre a correspondência de seus
membros. Portanto, Bob Valentine, de volta aos EUA, em visita
à Fundação, passa-lhe o endereço de Lynn, como possível
contato no Brasil.
Prontamente,
a secretária da Fundação do Alcoólico escreve-lhe uma carta
na qual solicita a confirmação do contato brasileiro, dizendo-se
feliz por poder assinalar um ponto na cidade do Rio de Janeiro
em seu mapa de contatos no exterior. Ao receber essa correspondência,
Lynn responde afirmativamente sobre incluir-se como contato
de A.A. no Rio de Janeiro e informa que sua estada no Brasil
seria por pouco tempo. Solicita também algum material (memorandos,
boletins etc.) e diz: "Há quatro meses evito o primeiro
gole; fazendo algo, creio que manterei minha sobriedade
(...) gostaria de ter alguma participação no crescimento
de Alcoólicos Anônimos aqui no Brasil."
A
carta de agosto de 1945, assinada por Margareth Burger,
então secretária da Fundação do Alcoólico, não altera muito
os acontecimentos mas marca o final da correspondência e
Lynn Goodale sai de cena.
No
ano seguinte, a Fundação do Alcoólico recebe a seguinte
correspondência, vinda do Brasil:
"Rio
de Janeiro, Brasil, 19 de junho de 1946.
Ao
Secretário do
A.A. Cosmopolitan Club
Nova Iorque
Prezado
Secretário:
Há
coisa de um mês atrás o remetente desta esteve em seu Escritório
e, antecipadamente prevendo sua mudança aqui para o Rio
de Janeiro, solicitou algum contato com um membro de A.A.
Fui gentilmente informado do nome de Lynn Goodale - Av.
Almirante Barroso nº 91, como tal. Lamento informar que
devido ao meu precário português, ou pelo endereço incompleto,
fui incapaz de localizar essa pessoa e o auxílio das listas
telefônicas locais também foi insuficiente.
Você
teria a paciência suficiente (considerando que o correio
aéreo regular consome cerca de 29 valiosos dias na ligação
Nova Iorque/Rio de Janeiro) de fornecer-me instruções suficiente
para contatar essa pessoa ou qualquer outro membro de A.A.
no Rio?
Obrigado
por seu interesse
Herbert
L. Daugherty
Rua Gustavo Sampaio nº 86 - apto. 402
P.S.
Você poderá incluir-me como contato para o futuro?"
Tratava-se
de Herbert L., um publicitário norte-americano, sóbrio desde
1945, quando conheceu Alcoólicos Anônimos em Chicago, que
veio ao Rio de Janeiro, juntamente com sua esposa Elizabeth,
para cumprir um contrato de três anos como diretor de arte
numa grande companhia internacional de publicidade.
A
resposta da Fundação trouxe-lhe o nome de outras pessoas,
Don Newton e Douglas Calders, as quais poderiam ajudá-lo;
informou-lhe sobre a postagem de um "suprimento grátis
de literatura" e trouxe-lhe um pedido de abordagem
a um jovem de Recife.
Preocupado
em manter sua sobriedade e decidido a começar um Grupo de
A.A. no Rio, Herb (como era conhecido) decide escrever à
Fundação, meses depois do último contato, dizendo não ter
encontrado as pessoas indicadas. Nessa carta, datada de
2 de junho de 1947, Herb também informa que ele e sua esposa
já haviam se adaptado bem no Brasil e solicita mais nomes
e endereços de possíveis AAs no Rio.
"Lynn
Goodale e Don Newton deixaram o Rio de Janeiro"-
diz a correspondência vinda da Fundação, a qual também traz
um pedido preocupado: "Não deixes passar outro ano
sem correspondência" - e informa ao casal o novo
endereço de Douglas C.
As
cartas entre a Fundação do Alcoólico e Herb continuaram.
Na próxima, Herb envia um cartão constando seu nome e endereço,
cadastrando-se oficialmente como contato de A.A. no Brasil.
Quarenta
e sete foi o ano dos acontecimentos que culminaram com o
início efetivo de A.A. no Brasil. No mês de julho, Herb
recebeu endereço de outro AA residente no Rio de Janeiro
e alguns panfletos em espanhol e, em outubro, a Fundação
expressa sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A.
no Brasil.
Contudo,
há uma lacuna entre a carta de julho e a de outubro. Foi
justamente na época que se inicia o primeiro Grupo.
PRIMEIRO
GRUPO DE A.A. NO BRASIL
O NÚCLEO DE A.A. DO RIO DE JANEIRO - "A.A. Rio
Nucleus"
5
de setembro, por que?
Pouco
se tem documentado sobre a formação do primeiro Grupo de
A.A. no Brasil. O que se pode afirmar é que esse Grupo inicialmente
era formado por norte-americanos a serviço no Rio de Janeiro
e que o idioma das reuniões, sediadas nas casas ou apartamentos
dos companheiros, era o inglês. A maior dificuldade que
Herb teve, aparentemente, foi a de não falar fluentemente
o português. Ele queria transmitir a mensagem de recuperação
a brasileiros ou a quem falasse fluentemente o nosso idioma,
pois sabia que quando de sua volta aos Estados Unidos, provavelmente
todo o seu trabalho seria perdido.
Alguns
pontos, inclusive a data do início do "A.A. Rio Nucleus"
ou Grupo A.A. do Rio de Janeiro, durante tempos foram envoltos
em mistério e em controvérsias. Vamos agora fazer uma parada
na dissertação e dar uma olhada num fato sobre a formação
desse Grupo.
Pudemos
observar que o livro de registros do Grupo A.A. do Rio de
Janeiro, na data de 29/8/50 traz a seguinte anotação:
"Data
- aniversário.
Na
reunião de hoje deliberamos comemorar o 3º (terceiro) aniversário
da Fundação do Grupo A.A. do Rio de Janeiro no dia 5 (cinco)
de setembro próximo.
A
referida data ficará, por tradição, como a data oficial
da fundação do Grupo.
Rio
de Janeiro, 29 de agosto de 1950.
Fernando,
secretário."
Esse
registro documentado é a mais clara evidência de que a data
de início do primeiro Grupo de A.A. no Brasil foi 5 de setembro
de 1947. Infelizmente o secretário não menciona detalhes
como: onde foi realizada a reunião inaugural, quem foram
os participantes dessa reunião etc.
O
mais provável é que nessa data deu-se o encontro de Herb
com o primeiro brasileiro que conseguiu manter-se sóbrio
em A.A., o companheiro Antônio P., falecido em meados de
1951, quando tentava recuperar-se de um acidente de trabalho.
TRABALHO
ÁRDUO COM OS OUTROS
CRESCIMENTO DO GRUPO GRAÇAS À INTENSA DIVULGAÇÃO
Na
carta de outubro, vinda da Fundação do Alcoólico, e que
comentamos anteriormente, há uma sugestão para que o recém
formado Grupo trabalhasse firme na divulgação: "...
por todos os meios, prossigam com os planos de levar Alcoólicos
Anônimos ao conhecimento público. Muitos Grupos
têm achado que são de grande ajuda os artigos nos jornais
e não há contra-indicações quanto a isso, contando com as
Tradições de A.A. - anonimato, propósito, dinheiro etc.
(...) Depois de estrondosa abertura à publicidade, um grande
número de Grupos tem usado anúncios pequenos informando
que estão funcionando e o endereço onde maiores informações
poderão ser obtidas."
Baseando-se,
talvez, nessa sugestão, foi que Herb encaminhou uma carta
ao Jornal O Globo. O editor ficou muito entusiasmado e o
artigo apareceu na primeira página da edição de 16 de outubro
de 1949.
"Alcoolistas
Anônimos - Uma Sociedade de Fins Meritórios" era o
título do artigo que detalhava o funcionamento de A.A.:
"Alcoólicos Anônimos
é uma sociedade composta por pessoas que tendo sido bebedores
inveterados conseguiram livrar-se do alcoolismo e trabalham
com o intuito de se ajudarem mutuamente a se manterem sóbrios.
Sendo ex-bêbados, não entramos em discussão com aqueles
que bebem normalmente ou com os fabricantes de bebidas alcoólicas,
nem somos contra essas pessoas. Não temos também, como Grupo,
qualquer ligação ou filiação com determinada igreja ou organização
missionária ou organização de temperança. Como ex-bêbados,
estendemos a nossa simpatia e auxílio a qualquer pessoa
de qualquer classe social e de qualquer religião, que tenha
perdido o controle sobre a bebida e que, sinceramente, queira
abandonar o vício." Apesar de falar em "vício",
o artigo mostrava também o aspecto "doença". Mencionava
algo sobre o anonimato e o Primeiro Passo e, por fim, solicitava
aos interessados que escrevessem cartas à redação do jornal,
endereçadas ao núcleo brasileiro de A.A.
O
artigo repercutiu e Herb respondeu cerca de dez cartas de
pessoas pedindo ajuda e o jornal solicitou outro artigo.
Depois,
Herb e sua esposa - que parece ter sido a redatora da maioria
das cartas - noticiaram o fato à secretária da Fundação
do Alcoólico que, posteriormente, transmitiu as boas novas
a Bill W. Nesta mesma correspondência Herb demonstra preocupação
em registrar a Irmandade junto ao governo brasileiro e informa
ter encontrado Douglas C., com quem já havia feito algumas
reuniões.
A
manifestação da Fundação, através de sua secretária, Margareth
Burger, foi típica de A.A. Lendo a carta de novembro de
1947 pode-se sentir a emoção com que receberam a notícia
do progresso brasileiro. Foi aí também a primeira referência
sobre a tradução do Livro Grande e de outros folhetos para
o português e a informação de que só havia tradução para
o espanhol.
Quanto
ao "registro" junto ao governo, a funcionária
da Fundação disse: "Discuti com Bill W. o assunto
do material apropriado para submeter à apreciação do governo
brasileiro. Bill acha que vocês podiam explicar às pessoas
daí que A.A. não é uma incorporação, mas é simplesmente
uma organização sem fins lucrativos cujo propósito primordial
é o de ajudar na recuperação do portador da doença do alcoolismo,
se ele o desejar. Caso vocês nos dêem o nome para contato
com o governo brasileiro, a Junta de Custódios de A.A. poderá
enviar a Constituição da Fundação do Alcoólico, que foi
fundada para agir como uma espécie de Comitê de Serviços
Gerais para Alcoólicos Anônimos."
Aqui
cabe uma pausa. Nesse trecho podemos notar o que Bill W.
pensava quando dizia que ele e Dr. Bob eram o elo entre
os Grupos e os Custódios da Fundação. No caso desse registro
brasileiro, vemos como Alcoólicos
Anônimos ainda carecia de uma estrutura e
como Bill W. era o consultor direto da Fundação do Alcoólico.
Voltemos
aos fatos. Só em abril próximo (1948) a Fundação recebeu
a resposta do casal Herb e Libby, como era chamada Elizabeth.
Isso, segundo Herb, devia-se ao "tempo e trabalho árduo".
Nessa época havia várias boas-novas: "... contamos
com quatro brasileiros. Somos seis, se incluirmos Doug C.
e eu mesmo. Esses quatro brasileiros estão abstêmios há
seis meses ou mais. Nosso mais novo recruta veio através
de uma carta que havíamos escrito a um pastor daqui. Trata-se
de um anglo-brasileiro que tem lido tudo que se relaciona
com A.A. Traduziu os Doze Passos para o português, ajudou-nos
a escrever um artigo para os jornais aqui do Rio de Janeiro
e, no momento, está nos ajudando a traduzir um folheto de
A.A."
Nessa
época vários artigos já haviam sido publicados em jornais
brasileiros e uma matéria foi veiculada num jornal direcionado
à comunidade de língua inglesa no Brasil, o Brazil Herald.
Eles também estavam com um material novo pronto para publicação,
aguardando somente o número de uma caixa postal a ser usada
como endereço para correspondência. Além de tudo isso, o
recém formado Grupo já havia postado cerca de trinta cartas
(sendo a metade em inglês) a médicos, igrejas e outras entidades
do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Enfim, essa correspondência
foi tão carregada de progressos que posteriormente a Fundação
solicitou sua publicação na Grapevine.
Na
correspondência seguinte, vinda da Sede, notou-se a preocupação
com a tradução do folheto para o português. Assim, foi solicitado
a Herb que encaminhasse um exemplar para análise, bem como
cópia de alguns dos artigos publicados nos jornais brasileiros,
para apreciação e arquivo.
Nesse
mesmo mês, o livrete (ou folheto) de A.A. estava quase totalmente
traduzido e a Associação Cristã de Moços (ACM) emprestou
uma de suas Caixas Postais a Alcoólicos
Anônimos, fato noticiado de pronto à Nova
Iorque.
"LINGUAGEM
DO CORAÇÃO"
Depoimentos em "preto e branco"
Sem
sombra de dúvida, a maior dificuldade encontrada por aqueles
pioneiros no Brasil foi o idioma. Os brasileiros que chegavam
não entendiam o inglês e os americanos, residentes ou de
passagem pelo Brasil, pouco ou quase nada falavam em nossa
língua. Até mesmo Herb, já há dois anos no Rio, pouco dava
"colorido" aos seus depoimentos em português -
como ele mesmo mencionou. Hoje entendemos que só através
da linguagem do coração, aquela que acontece quando um alcoólico
fala com outro, é que esses membros se comunicavam. A recuperação,
mesmo no Grupo, tornava-se quase um desafio. Sentia-se muito
a falta da tradução do livro Alcoólicos Anônimos;
em virtude disso, alguém traduzia uma pequena parte e lia
a cada reunião. Com esse quadro de dificuldades, era premente
a necessidade de receberem membros que falassem fluentemente
os dois idiomas. Talvez por isso, deu-se tanta importância
à chegada de Harold, mesmo sendo Antônio P. o primeiro brasileiro
a chegar. Vamos relembrar um pouco do encontro entre Herb
e o valoroso Harold, numa carta escrita por ele mesmo e
publicada na Grapevine em novembro de 1990.
"A
história de A.A. do Brasil começa em junho de 1946, quando
Herb D., que havia ficado sóbrio há um ano em Chicago -
EUA, vem para o Rio de Janeiro com um contrato para trabalhar
como diretor artístico de uma empresa americana de publicidade.
Como era novato no programa, sua preocupação imediata foi
procurar a Irmandade na cidade onde ele viveria por três
anos. Alcoólicos Anônimos, entretanto, era desconhecida
no Rio de Janeiro, embora Herb tivesse alguns nomes para
fazer contato. Visto que nenhum desses companheiros permanecia
por muito tempo no Brasil, a Irmandade ainda não havia criado
raízes.
Após
alguns meses de tentativas, Herb esperou pelo interesse
de bebedores-problema brasileiros (e havia muitos no Rio
naquela época), para ajudarem-no a manter-se sóbrio e, levando
a mensagem, formarem um Grupo no Brasil. Como em todo o
mundo naqueles dias, os alcoólico no Brasil eram considerados
um estorvo social dos quais o verdadeiro lugar era numa
clínica psiquiátrica ou na delegacia de polícia.
Em
1947, Herb conseguiu bebedores brasileiros como ingressantes.
Um desses era Antônio P., que parou de beber e manteve-se
sóbrio com alguma dificuldade, em virtude da falta de literatura
traduzida para o português, até sua morte num acidente em
1951. O outro brasileiro afastou-se. As reuniões aconteciam
nas casas de companheiros que estavam sóbrios.
O
grande apoio a Herb vinha de sua esposa, Libby, uma não-alcoólica
que o incentivava muito no seu trabalho de levar a mensagem.
Herb tinha uma correspondência volumosa com a Fundação do
Alcoólico e conseguiu publicar alguns artigos sobre A.A.
nos jornais do Rio.
No
início de 1948, graças à boa vontade de um bispo episcopal
que estava no Rio, Herb encontrou-se com Harold. Ele era
um anglo-brasileiro com um caso de alcoolismo tido como
perdido. Tinha servido o exército britânico durante a Segunda
Guerra Mundial, retornando ao Rio de Janeiro em 1946. Nesse
ínterim, havia perdido vários empregos, fora expulso da
casa de seus sogros, perdido sua esposa e, por fim, ido
morar no porão da casa de um irmão na cidade de Niterói,
do outro lado da Baía da Guanabara. O bispo e o irmão de
Harold arranjaram um encontro entre os dois para um sábado.
Nesse
primeiro encontro, Herb contou a Harold (que havia bebido
a manhã toda) a história de como tinha parado de beber substituindo,
gole a gole, a bebida de seu copo por água pura, até que
passasse a beber somente a água. Como, após muitas tentativas
frustradas, ele tinha sido capaz de evitar encher o copo
com bebida alcoólica e, assim, evitar o primeiro gole. Ele
falou também sobre o plano das vinte e quatro horas, sobre
a melhora em sua vida pessoal e empresarial. Por fim, Herb
pediu a Harold que pusesse o sistema em prática e que, quando
ele parasse de beber, tentasse traduzir o máximo possível
do folheto sobre A.A. que lhe entregara. Herb havia trazido
esse folheto dos Estados Unidos. Os dois combinaram encontrar-se
na quarta-feira seguinte, no prédio da Associação Brasileira
de Imprensa, no centro do Rio, para que Harold mostrasse
os progressos tidos com a tradução.
Na
data marcada Harold teve um apagamento nas primeiras horas
do dia, após ter tomado aquele que seria seu último gole,
usando o método sugerido por Herb. Apesar disso, naquela
manhã, Harold barbeou-se, tomou banho, vestiu roupas limpas,
comeu algo com a família incrédula do irmão e colocou-se
a caminho - sóbrio, mas com uma terrível aparência - para
encontrar-se com Herb, levando algumas páginas do que tinha
traduzido. Os dois encontraram-se no salão de café do prédio
e, nesse encontro, um novo período de um mês foi fixado
para que Harold, sóbrio, terminasse a tradução. Herb iria
mandar imprimir a versão em português. Demorou mais do que
o previsto, porém no início de 1949, o panfleto estava impresso
e começava a ser distribuído a todos que o solicitavam.
Em
junho de 1949, quando Herb retornou aos Estados Unidos,
havia um Grupo com doze membros sóbrios que se reuniam regularmente
todas as segundas-feiras, à noitinha, numa pequena sala
da Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro. Herb, no
início, apelidou o Grupo de "Os Doze Desidratados".
Depois foi formalmente chamado de "O núcleo de A.A.
do Rio de Janeiro" e, finalmente, ficou com o nome
de "Grupo Rio de Janeiro de A.A."
Harold
W."
Data
de agosto de 1948 o cadastro de Herb e Harold como membros
do "Núcleo A.A. do Rio de Janeiro", com o número
da Caixa Postal cedida pela ACM, e o endereço da Associação
Brasileira de Imprensa (ABI) como local de reuniões.
A
UNIDADE NO GRUPO
COMO FUNCIONAVA O GRUPO RIO DE JANEIRO DE A.A.
As
correspondências da época demonstram claramente o espírito
de Irmandade que havia entre os membros do primeiro Grupo
de A.A. no Brasil. Os mais antigos demonstravam uma grande
preocupação com os novos membros, especialmente com os brasileiros,
nas reuniões que aconteciam ora em casa de um membro ora
na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Apesar
dos vários americanos participantes, era sabido que a maior
parte deles estava somente de passagem, a trabalho. Nas
entrelinhas de uma carta de 1949, escrita por Antônio P.
a Harold, que se encontrava temporariamente no sul do país,
observamos a unidade entre aqueles poucos companheiros,
quinze ou mais. A carta também falava sobre o problema que
tiveram com o tesoureiro do Grupo que havia se afastado
com a reserva financeira. A solução encontrada foi uma "coleta
secreta" entre os companheiros, para saldar a pequena
dívida apresentada e incentivar o retorno do companheiro,
o que aconteceu mais tarde. De fato, os problemas de Grupo
já existiam, no entanto, as sábias decisões também.
Nesse
ano já contava-se com um bom número de brasileiros assíduos
no Grupo e várias reuniões eram feitas em português, com
tradução simultânea aos que só falavam inglês. Esse fato
trouxe tranqüilidade a Herb, pois voltaria à América do
Norte dentro de pouco tempo, mais precisamente em junho
de 1949. Mas antes que isso ocorresse, foi bem-vinda uma
norte-americana, Eleanor, uma das primeiras mulheres AAs
no Brasil, talvez a primeira. Ela incumbiu-se logo da correspondência
com a Sede em Nova Iorque, bem como da tradução do material
recebido.
Em
1950, o Grupo passava por problemas financeiros e recorreu
à Fundação para aquisição de alguns livros. Vale notar que
a Fundação mantinha uma reserva financeira do Grupo brasileiro,
a qual nesse ano foi diminuída pela metade a título de contribuição
à Sede de onde periodicamente vinham boletins e cartas.
Nessa ocasião foi solicitado também um exemplar do Manual
do Secretário. Aparentemente os encargos existentes eram
o de tesoureiro e o de secretário, que era uma espécie de
coordenador geral.
O
Grupo fixou seu endereço à rua Santa Luzia, de onde se mudou
após um ano, quando começou a eleger mensalmente um coordenador
de reuniões. A impressão do livrete "Como Cooperar
para uma Obra Meritória", segundo número da literatura
em português, deu-se nesse período. Era uma cópia fiel do
capítulo sete (Trabalhando com os Outros) do Livro Grande,
estrategicamente traduzido quando o Grupo precisava crescer
para se firmar e originar novos Grupos.
Em
1951 o companheiro Antônio P. sofreu um acidente de trabalho,
teve seu pescoço quase degolado e faleceu quando ainda passava
por cirurgias plásticas. Antes de sua morte recebeu uma
carta de Harold, da qual reproduzimos o seguinte trecho:
"Você
é um herói, Antônio, não há dúvida de que entre todos nós
você é o AA número um (primeiro)! Pode ser um dos menores
por fora, mas dentro dessa alma enorme e forte, cabemos
todos nós folgadamente. Sem dúvida alguma você conseguiu
o que eu, pelo menos, ainda não alcancei: traduzir e interpretar
bem a vontade e as intenções do Poder Superior, e ser forte
na certeza de que ele está sempre ao seu lado, podendo enfrentar
cada dia com paz de espírito e serenidade. Que Deus lhe
abençoe, meu bom amigo."
Provavelmente
Antônio teve dificuldades em se fixar no programa de recuperação
devido à linguagem, mas manteve-se firme em suas vinte e
quatro horas até o final de sua vida.
A
DIFÍCIL TAREFA DE DIVULGAR A MENSAGEM
UM MAL-INTENCIONADO ARTIGO DISTORCE OS PRINCÍPIOS DA
IRMANDADE
Tudo
o que os iniciadores tinham feito até os idos de 1952 fora
transmitir a mensagem. Herb, já em 1947, fora o autor de
uma matéria no jornal O Globo. A partir daí uma sucessão
de "boa publicidade" aconteceu; foram várias as
matérias publicadas a bem de nossa recém forjada Quinta
Tradição. Por falar em Tradições, elas haviam sido aprovadas
no ano anterior, em Cleveland, e os Grupos de A.A. em geral
tentavam seguir esses doze pontos para assegurar o futuro
de A.A. Mas como no início da história da irmandade de A.A.
nos EUA, aqui no Brasil também tivemos problemas relacionados
aos princípios tradicionais.
Uma
das primeiras "desavenças" envolveu Harold num
artigo que refletiu várias inverdades sobre a irmandade
de A.A.: "Os Regenerados do Álcool", da Revista
da Semana.
Provavelmente
com finalidade meramente noticiosa ou sensacionalista, a
Revista da Semana coloca aos seus leitores um "furo
de reportagem" sobre "uma sociedade secreta dos
antigos viciados" . Tudo começou com uma farsa.
O
repórter iniciou o trabalho de "desvendar o mistério"
- usando uma expressão do texto - com telefonemas a Harold
W., dizendo-se bebedor inveterado e ansioso por ajuda. Prontamente,
como deveria ser, o companheiro marcou um encontro no qual
sua primeira pergunta foi: "Quais são os sintomas
que você sente quando bebe?" A resposta, o repórter
comenta na matéria: "Por um instante ficamos paralisados
sem saber o que responder. Da resposta que déssemos a essa
insignificante pergunta, dependeria o sucesso da reportagem.
Aquelas palavras, ditas à queima-roupa, soavam com violência
e ressonância aos nossos ouvidos. Naquele momento estava
em jogo todo o trabalho de preparação, os esforços que fizemos
para descobrir os responsáveis pela secreta agremiação,
o assunto de suma importância para nós, enfim, tudo seria
sacrificado se não respondêssemos satisfatoriamente. Havia
a necessidade de respondermos ter o malsinado vício, que
éramos beberrões inveterados em busca de salvação e amparo.
E foi o que fizemos, com êxito."
A
partir daí todos podem imaginar o teor comercial da reportagem.
O artigo foi ilustrado pela capa e contracapa do folheto
branco, e pela foto de Harold almoçando, fruto de um mirabolante
plano. A repercussão na Irmandade não é muito citada nos
documentos que dispomos. No entanto, exatamente uma semana
após a publicação, Harold escreveu ao diretor da revista
consternado por ter sido ludibriado e pela quebra da Tradição
do Anonimato. Nessa carta Harold esclarece também os pontos
distorcidos na revista. Discorre com detalhes sobre o princípio
do Anonimato, sobre nosso propósito único, a respeito da
recuperação em A.A. e encerra dizendo: "Se o seu
repórter tivesse comparecido e declarado sua verdadeira
intenção, eu teria ajudado com o máximo prazer a apresentar
uma reportagem que não afetasse desfavoravelmente os princípios
da agremiação humilde de A.A. ou dos seus membros, nos moldes
das publicadas anteriormente no Brasil por conceituadíssimos
periódicos."
O
assunto da reportagem parece não ter ido muito à frente,
mas provavelmente ajudou na resolução de se constituir um
órgão de serviço de A.A. juridicamente, com registro em
cartório.
Em
dezembro daquele ano um estranho estatuto, mais as Doze
Tradições, foram registrados no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas. Estranho porque entre as incumbências do secretário
geral do Conselho estavam: "Orientar e fiscalizar todos
os Grupos e seus membros, evitando qualquer ligação com
outras entidades e exploração de qualquer natureza"
e "Fazer cumprir as Tradições e estes estatutos."
Ainda
falando em divulgação na imprensa, em 1953, o jornal A Noite,
num artigo equivocado, dizia que Alcoólicos
Anônimos havia sido fundada no Brasil, naqueles
dias, quando o Grupo Rio de Janeiro de A.A. findava sua
atividade e já contávamos com outros Grupos, dentre eles
o Central do Brasil, formado em 1952. Não obstante, a divulgação
continuou, inclusive no rádio. Em 1956, contávamos com cerca
de treze Grupos brasileiros registrados no catálogo mundial.
OS
SERVIÇOS GERAIS
1952
- Observa-se pelo descrito que embora incipientes, os
Serviços iam lentamente desenvolvendo-se.
Para
melhor memorizarmos, vejamos os principais fatos ocorridos:
- Em
08/12/1952 foram registrados, como anteriormente citado,
os primeiros Estatutos da Irmandade no Brasil;
- Foi
fundado o Grupo Central do Brasil, que centralizou,
durante a década, as atividades de Alcoólicos Anônimos
no Brasil;
- Noticiou-se
a formação dos Grupos em Belo Horizonte(MG), Nova Friburgo(RJ)
e Salvador(BA).
- No
período, houve diversas realizações no que concerne
à literatura. Divulgação externa, com programas radiofônicos
semanais, com a colaboração, em particular, do saudoso
Dr. Paulo Roberto (médico do Rio de Janeiro). Instituiu-se
a sacola da Sétima Tradição.
- Proliferaram
as abordagens, tradução e publicação de literatura,
sendo a oficialização e conseqüente direito de impressão
negados pelos Serviços Mundiais de então.
- Ainda
entre os anos de 1952 e 1961, contávamos com 10 Grupos
funcionando em todo país, considerando a formação de
mais 2 Grupos no Rio de Janeiro, o de São Luiz(MA) e
em Juiz de Fora e Itajubá, ambos em Minas Gerais.
1962
a 1968
- Trata-se de um período de relevantes reformas nos Serviços,
com a preocupação de se formar novas lideranças, expandir-se
com novos Grupos e divulgar a mensagem, inclusive continuando
no rádio, onde tivemos uma RÁDIO
NOVELA SOBRE A.A.
O
Programa Homens, Fatos e Idéias, da rádio Ministério da
Educação e Cultura, em junho/62, dedicou-se ao problema
do alcoolismo e a Alcoólicos
Anônimos. Foi uma espécie de novela falada
que se referia à fase crítica de um alcoólico, suas atitudes,
seus familiares e sobre A.A., dando ênfase às quinze perguntas
(na época), editadas no final do folheto chamado "Branco".
Num momento da história, o narrador interrompe:
"Você
que nos ouve poderá ser um completo abstêmio. Poderá ser
um leve bebedor social, para quem o álcool não constitui
problema. Mas certamente você conhece alguém que não consegue
eliminar a própria sede e para quem o álcool é um grande
e crescente problema. Apenas no interesse desse seu amigo
ou conhecido, a quem estamos tentando levar uma esperança,
ouça com atenção algumas das perguntas que A.A. tem a fazer."
Seguia-se
o programa com ilustração dos papéis pelos locutores e uma
explicação minuciosa, com breve depoimento, proferido por
um membro. Em seguida, após as perguntas, como no atual
folheto "Você deve Procurar o A.A.?", foi lido
o resultado que fala das quatro respostas afirmativas. Durante
todo o programa foi amplamente divulgado o número da Caixa
Postal de A.A. que já não era mais aquela cedida pela ACM,
e sim uma alugada desde 1950. De certo, esse programa contribuiu
muito para que Alcoólicos Anônimos recebesse vários alcoólicos
pedindo ajuda.
OUTROS
FATOS MERECEM REALCE NO PERÍODO
- Criação
das primeiras Intergrupais no Rio de Janeiro, na Paraíba
e em Minas Gerais, que pelas suas forças de catalisação
ensejaram a formação de novos Grupos em todo Brasil:
em Recife(PE), Campina Grande(PB); Goiânia(GO) entre
outros.;
- Surgimento
das primeiras reuniões administrativas sistematizadas,
grupos temáticos e institucionais, manutenção da divulgação
no rádio, salas alugadas, Intergrupais com telefone,
primeiros programas na televisão, participação em seminários
sociais, reuniões abertas à comunidade, criação e funcionamento
de treinamento para Coordenadores de Grupo;
- Reforma
dos Estatutos existentes, adequando-os às Tradições
de A.A.;
- Realização
da Convenção Nacional de A.A no Rio de Janeiro, em 1965,
com a participação de seis Estados e, por motivos de
segurança, foi patenteada a sigla "A.A.";
- Criação
de um Conselho Administrativo de A.A., composto por
membros veteranos, que na mesma data realizou sua primeira
reunião, elegendo seus membros e providenciando o registro
em cartório, com emissão da 1ª Circular para os Grupos
e mandando igualmente publicá-la no Diário Oficial.
Em
fins de 1968 existiam no Brasil cerca de 88 Grupos.
A
LITERATURA OFICIAL NO BRASIL
O LIVRO "ALCOÓLICOS ANÔNIMOS"
Ao
falarmos da Literatura de A.A. e do início das publicações
oficiais no Brasil, não poderíamos deixar de dar atenção
especial ao fato sobre como aconteceu a publicação do livro
Alcoólicos Anônimos em português. Um companheiro
de São Paulo, chamado Donald L., se dispôs a traduzir o
livro Alcoólicos Anônimos e comunicou-se
com o GSO, que respondeu sua carta em outubro de 1966 sugerindo-lhe
a tradução dos onze primeiros capítulos, após a formação
de um Comitê de Tradução. Informaram-lhe também que a impressão
deveria ser feita, após análise, em Nova York. O GSO não
permitiu a impressão no Brasil.
Em
fins de 1968, Gilberto, um AA brasileiro residente nos Estados
Unidos, conheceu Donald L. e conseguiu intermediar as relações
entre ele e A.A.W.S. (A.A. World Services, Inc.) órgão responsável
pela Literatura Oficial de A.A.
Havendo
a concessão para impressão do livro Alcoólicos Anônimos
e também do financiamento, a Diretoria de A.A.W.S., através
do então Presidente Robert E. Hitchins, enviou correspondência
cientificando da decisão, estabelecendo, porém, condições
indispensáveis à impressão, quais foram:
- que
fosse instalado no Brasil, um Centro de Distribuição
de Literatura (operacional);
- que
o livro fosse vendido, no varejo, ao preço correspondente
a U$ 2,00 (dois dólares) a unidade aos indivíduos, com
possibilidade de ser vendido até o equivalente a U$
1,75 (um dólar e setenta e cinco centavos) por unidade
aos Grupos;
- que,
posteriormente, quando fosse criado o Escritório de
Serviços Gerais de A.A. no Brasil, o Centro de Distribuição
de Literatura passasse a se constituir parte integrante
daquela organização de serviços;
- que
uma vez aprovada a proposta em questão, fosse a operação
considerada "em confiança", assumindo a responsabilidade
todos os participantes, como reais representantes de
todos os membros de Alcoólicos Anônimos no Brasil.
Aceitas
todas as condições do A.A.W.S., em abril de 1969 o companheiro
Robert E. Hitchins, Presidente dos Serviços Mundiais de
A.A., liberou o Direito de Edição e Publicação em Português
de 2000 exemplares do livro Alcoólicos Anônimos,
ao custo total não superior a US$ 2.000 (dois mil dólares).
O
A.A.W.S. estabeleceu ainda, pela concessão, as condições
que seguem:
- remessa
ao A.A.W.S. de US$ 0,82 (oitenta e dois centavos) trimestralmente
por cada exemplar do livro vendido ou distribuído;
- advertência
expressa no livro de que os Direitos Autorais pertencem
ao A.A.W.S., e proteção integral quanto ao citado direito;
- publicação
acima do limite de 2.000 livros dependeriam da necessária
autorização;
- no
caso de não serem vendidos nem distribuídos os 2.000
exemplares, notificar ao A.A.W.S. para as providências
julgadas de acertos;
À
vista das condições enunciadas, em 20/9/69, sob a coordenação
do companheiro Donald M. Lazo, foi discutida e aprovada
a criação do Centro Brasileiro para edição em português,
da literatura de A.A. a partir de originais americanos.
Em
5/11/69, encontrava-se regulamente formalizado o "CENTRO
DE DISTRIBUIÇÃO DE LITERATURA A.A. PARA O BRASIL - CLAAB",
Sociedade Civil de natureza literária sem fins lucrativos.
A
publicação do livro Alcoólicos Anônimos, conhecido
no Brasil como Livro Azul, proporcionou o intercâmbio oficial
entre os Grupos existentes na época e o seu cadastramento,
uma vez que o CLAAB ia anotando os endereços, dias e horários
de reuniões, conforme as solicitações do livro pelos Grupos,
fornecendo-os às pessoas que buscavam ajuda.
A
Revista Eclesiástica Brasileira - REB, Órgão Oficial de
Comunicação entre a prelazia brasileira e as paróquias,
publicou uma elogiosa critica ao livro, recomendando como
instrumento útil na recuperação de alcoólicos. Nessa mesma
época, graças a amigos de A.A., tivemos acesso ao saguão
da PUC, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde
se realizava o 4º Congresso Latino Americano de Psiquiatria,
local em que foi montado um "stand" com a pouca
literatura de que dispúnhamos e os companheiros falaram
diretamente com dois mil médicos, explicando-lhes o conteúdo
do livro, e oferecendo gratuitamente, exemplares dos folhetos
disponíveis. Registrou-se um recorde: duzentos e vinte exemplares
vendidos em quatro dias (até aquela data nossa venda não
havia passado os vinte exemplares por mês).
UM
BREVE RETROSPECTO
1968
a 1975
- Início da Estrutura de Serviços no Brasil, alicerçada
em quatro itens:
- Fundação
em 20/09/69, em São Paulo, do Centro de Distribuição
de Literatura de A.A. para o Brasil - CLAAB;
- Unificação
de A.A. no Rio de Janeiro, em 20/06/71, resultando na
criação do primeiro Escritório Nacional de Serviços
(ENSAA);
- Realização
do Primeiro Conclave em São Paulo, no carnaval de 1974,
quando o CLAAB foi considerado um Organismo Nacional
de Serviços de A.A.;
- Em
1974 o ENSAA do Rio de Janeiro encerra suas atividades.
Esses
acontecimentos serviram de ponto de partida para o extraordinário
crescimento da Irmandade, considerando-se que houve um aumento
de 468% no número de Grupos, percentual inferior apenas
ao período de 1962 a 1968, cujo crescimento foi da ordem
de 780%.
Na
época foram formados Grupos em Brasília(DF), Porto Alegre(RS)
e Campo Grande(MS).
1975
- realizado o 2º Conclave em São Paulo.
O
fundamental foi a fundação da JUNAAB, em 29/2/76, instituída
consoante carta no seguinte teor:
São
Paulo 1º novembro de 1975.
Estimados
Companheiros:
A
débil chama ateada por Bill e Bob, há quarenta anos, sem
dúvida por inspiração divina, é hoje esplendente luzeiro
a espraiar seu brilho pelo mando todo, iluminando o caminho
de uma infinidade de alcoólatras em serena sobriedade: homens
e mulheres que, unidos pela Fé, pela Esperança e pelo Amor,
se empenham, com sincera humildade, em busca de seu aprimoramento
espiritual.
No
decorrer do quadragésimo ano de existência do A.A. mundial,
o CLAAB, por sua diretoria executiva, vem, jubilosamente,
congratular-se com os estimados Companheiros pela inestimável
contribuição desse valoroso Grupo à expansão e fortalecimento
de A.A. no Brasil, augurando-lhes um sempre crescente êxito
na tarefa de transmitirem a Sublime Mensagem aos alcoólicos
que ainda sofrem. O crescimento e a unidade do A.A. em nosso
País é uma esplêndida realidade que muito nos sensibiliza
e conforta.
O
Brasil, contando atualmente com mais de 500 Grupos, deverá
proximamente vencer a última etapa do desenvolvimento da
estrutura dos Serviços Gerais, consolidando a união dos
AAs de nossa querida Pátria, iniciada no memorável Conclave
de Carnaval de 1974, com a reestruturação do CLAAB e posse
de sua primeira Diretoria Nacional.
Durante
o 2º Conclave, o Conselho Diretor do CLAAB, reunido em Assembléia
Geral Extraordinária, no dia 10 de fevereiro deste ano,
com a presença de 18 diretores (delegados representando
11 Estados, inclusive o Distrito Federal), deliberou sobre
a criação da Junta de Serviços Gerais de A.A. para o Brasil,
a ser efetivada durante o próximo Conclave a realizar-se
em São Paulo, no Carnaval de 1976.
A
Junta, à qual o CLAAB ficará subordinado, deverá inicialmente,
ser constituída pelos atuais Delegados Estaduais eleitos
para o biênio 1975/76, mais os que vierem a ser eleitos
para o biênio 1976/77.
A
criação da Junta propiciará melhor distribuição dos encargos
executivos, com o imprescindível desmembramento das funções
ora atribuídas apenas aos dois membros da diretoria executiva
do CLAAB, o que trará a desejada e necessária eficiência
na execução dos serviços, mormente quanto à presteza no
atendimento da correspondência.
A
propósito, pedimos muitas desculpas aos estimados Companheiros
por nossa aparente desatenção com relação à correspondência,
tal como cartas não respondidas ou respondidas com atraso,
falhas que lamentavelmente não temos conseguido superar,
não obstante nossa dedicação e sincera vontade de servir.
Cumpre-nos, outrossim, informar o seguinte:
A
imprevista mudança do escritório - por terem os locadores,
não obstante haverem prometido uma prorrogação do contrato,
solicitado a entrega da sala - acarretou despesas extraordinárias
de não pequena monta, com a aquisição de estantes e móveis,
pois os que guarneciam o escritório pertenciam aos locadores.
Foram
feitas novas impressões dos quatro folhetos e contratada
uma nova edição do Livro Grande, que deverá ser-nos entregue
em dezembro, conforme prometido pela editora.
Por
esses motivos e pelo fato de diversos Grupos e alguns AAs
individualmente, inclusive pretensos líderes, terem deixado
de pagar literatura que solicitaram para pagamento a curto
prazo, desequilibrando, assim, nossas previsões financeiras,
fomos obrigados a adiar a publicação de "O Grupo",
cujo lançamento será feito, o mais tardar, até a Carnaval
de 1976.
Por
outro lado, temos a satisfação de, com nossos agradecimentos,
registrar as contribuições dos Grupos relacionados em anexo,
as quais, neste ano, atingiram a soma de Cr$ 3.275,40.
Apraz-nos,
também comunicar que a dívida do CLAAB para com o G.S.0.
está reduzida a apenas US$391,45.
A
criação da Junta de Serviços Gerais nacional é o passo decisivo
para a afirmação da maioridade de Alcoólicos Anônimos no
Brasil. Por isso apelamos para que todos os Grupos cooperem
com seu prestígio em prol da unidade do A.A. brasileiro,
nenhum deles se omitindo nas próximas eleições para a escolha
dos delegados estaduais.
Que
o Poder Superior guie e ilumine a todos nós!
Fraternalmente
P/
CLAAB
Arlindo
Mello Bianchi Waldomiro de Oliveira
Diretor Executivo-Secretário.
1976
- O chamamento foi atendido mediante a presença de 16 Estados
e participação de 27 membros - Delegados Estaduais - que
somados aos membros do Conselho Diretor do CLAAB, reuniram-se
no salão geral do Hilton Hotel em São Paulo capital, aos
20 (vinte) dias do mês de fevereiro de 1976, assinando o
livro próprio de presença, sob a Presidência do companheiro
Sigoulf Rau, e tendo como secretário o companheiro Luiz
Alves de Araújo Filho, indicados pela Assembléia que se
instalava para a instituição da Junta de Serviços Gerais
de Alcoólicos Anônimos para o Brasil - JUNAAB, que após
a leitura, ampla discussão e as devidas emendas, foram aprovados
os tão esperados Estatutos.
No
bojo dos Estatutos foram transcritos os Doze Passos e as
Doze Tradições, enquanto nos seus artigos, parágrafos e
itens regulamentavam o funcionamento da Junta de Serviços
Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil - JUNAAB, consubstanciando
que: é uma sociedade civil, sem fins lucrativos de duração
indeterminada, com Fórum na Capital da cidade de São Paulo,
regendo o seu Estatuto nas disposições legais que lhe forem
aplicadas. Tem como objetivo promover a Unidade e continuidade
da irmandade de Alcoólicos Anônimos
no Brasil.
O
Estatuto dispõe que são Órgãos da Junta de Serviços Gerais
(JUNAAB) uma ASSEMBLÉIA GERAL; uma DIRETORIA e o CLAAB:
Embora
o CLAAB seja subordinado a Junta, é um órgão distinto e
autônomo, legalmente constituído, com Estatuto próprio sujeito
as disposições aplicáveis em lei, formado por uma Diretoria
e um Conselho Fiscal.
A
Ata relativa a Instituição da Junta de Serviços Gerais de
A.A. do Brasil e respectivo Estatuto foram registrados sob
nº 2.519, dia 20/6/76, no Cartório de Registro de Pessoas
Jurídicas de São Paulo Capital, enquanto os Estatutos e
Ata da Constituição do CLAAB aprovados em 1/3/76, acham-se
registrados no 1º Registro de Títulos e Documentos de São
Paulo, em data de 30/6/76, sobre o nº 2.548 e anotado sob
o número 19.671, Livro A nº 19 do Registro de Pessoas Jurídicas.
A Assembléia que criou a JUNAAB, credenciou o A.A. brasileiro
a enviar dois representantes para a 4ª Reunião Mundial de
Serviços (hoje RSM), em Nova York, em outubro de 1976.
1977
- PRIMEIRA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL
Nos
dias 05 e 06/04, reuniram-se em Recife(PE) a Junta de Serviços
Gerais de A.A. do Brasil em Assembléia Geral Ordinária.
Cumprindo as formalidades de abertura, seguiu-se o item
3 da Ordem do Dia, aprovando-se que os trabalhos se desenvolvessem
tal qual uma Conferência de Serviços Gerais, formada por
Delegados estaduais, pelos membros da JUNAAB e Diretores
do CLAAB, que integraram as Comissões, em número de quatro:
Agenda, Literatura e Publicações, Finanças e Política e
Admissões, iniciativa fruto da experiência trazida da Reunião
Mundial pelos dois representantes brasileiros.
Assim
é que, desde a aprovação do primeiro Estatuto da JUNAAB
e o início dos Serviços Gerais, havia convicção de que essas
iniciativas eram temporárias e objetivavam a obtenção de
ações de maior alcance e definição. Isso já demonstrava
uma recomendação da 1ª Conferência para que os Delegados
Estaduais indicassem nomes de membros de A.A. com mais de
10 anos de sobriedade contínua, para servirem como Custódios,
e de pessoas não alcoólicas, bem relacionadas com a Irmandade,
para funcionarem como membros da JUNAAB - note-se que tais
pessoas não foram mencionadas como futuros Custódios não
alcoólicos.
Nessa
mesma ocasião, Órgãos de Serviços Locais já existentes,
se formalizavam estruturalmente e compartilhavam através
do recém ativado Boletim BOB, informativo da JUNAAB, as
suas experiências. Ainda sinalizando progresso estrutural,
este Boletim publicava informações e esclarecimento sobre
os Serviços Gerais, particularmente as atribuições do Delegado
Estadual e do RSG.
Recomendou-se
que o Conclave Nacional de A.A. fosse realizado a cada dois
anos, preferencialmente nas capitais, e a Conferência de
Serviços Gerais anualmente, alternando com o local do Conclave
e a sede de Serviços Gerais - São Paulo/Capital.
1978
- Acontecia a 2ª Conferência de Serviços Gerais em Belo
Horizonte(MG) e o 5º Conclave, de 20 a 22/03, que adiou
os procedimentos para reforma estatutária para posterior
deliberação.
1979
- A 3ª Conferência de Serviços Gerais ocorreu de 12 a 14/04
em São Paulo, salientando a Constituição de uma Comissão
Especial e Permanente para a Reforma Estatutária, cujo trabalho
findaria em dezembro de 1981 e seria apresentado na 6ª Conferência
de Serviços Gerais.
1980
- Em Porto Alegre, de 31/03 a 03/04, acontecia a 4ª Conferência
de Serviços Gerais, que confirmou e reforçou a Comissão
Especial e Permanente para Reforma Estatutária nos termos
da Conferência anterior. Simultaneamente realizava-se o
6º Conclave Nacional.
Alertava
ainda aos Grupos, quanto às traduções e publicações que
corriam a revelia do CLAAB e demais organismos de serviços,
sendo repassadas aos Grupos e a companheiros individualmente,
em desrespeito aos direitos autorais. Literatura essa, considerada
clandestina (pirata).
1981
- Nos dias 16 a 18/04 reuniu-se a 5ª Conferência de Serviços
Gerais em São Paulo e, como mencionado, recomendou o desmembramento
Administrativo Financeiro e Físico do CLAAB/ESG, ficando
o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para
o Brasil, enquanto o ESG assumiria de fato os Serviços Gerais
(Executivo) de A.A. em nível nacional.
Em
07/11 foi inaugurada a nova sede do ESG, que se desmembrou
do CLAAB, constituindo Estatuto próprio, com registro no
Terceiro Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas
de São Paulo, sob nº 27.091, em 02/10/81, sob denominação
de "os Estatutos de Alcoólicos Anônimos do Brasil Escritório
de Serviços Gerais S/C. AABESG", que funcionou à Rua
Itaipu, 31 - Praça da Árvore - Vila Mirandópolis. Na época,
cogitou-se até em adquirir sede própria, o que não aconteceu
(felizmente para o nosso bem e para A.A. como um todo).
Ainda
neste ano os Conclaves passaram a denominar-se Convenção,
por melhor adequar-se à irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Registrou-se
a uniformização do emblema (símbolo de A.A.), tendo na base
do triângulo o 1º Legado - RECUPERAÇÃO; no lado esquerdo
o 2º Legado - UNIDADE; no lado direito o 3º Legado - SERVIÇO;
e suprimindo do emblema a palavra RESPONSABILIDADE, que
não é Legado. Também houve a oficialização das cores brancas
e azul para o pavilhão (Bandeira), inserindo-se nosso Símbolo
conforme apresenta nossa bandeira atual (o símbolo em azul).
1982
- Face as ações havidas nos anos anteriores, nesta 6ª Conferência
e 7ª Convenção, realizadas de 05 a 09/04, em Fortaleza(CE),
foi discutido e aprovado o tão almejado Estatuto da JUNAAB,
que possibilitaria a Alcoólicos Anônimos no Brasil exercitar
a ESTRUTURA TRADICIONAL DA IRMANDADE e instituir a Junta
de Custódio, composta de seis membros de A.A. e três não
alcoólicos.
Recomendou-se
também, a tradução e versão do Manual de Serviços Americano/Canadense,
para nosso uso experimental e conseqüente adaptação à realidade
brasileira.
1983
- Na 7ª Conferência de Serviços Gerais em São Paulo, realizada
de 30/3 a 1/4, foram eleitos os primeiros Custódios do Brasil,
em número de nove, conforme o previsto, sendo três não alcóolicos
e seis alcóolicos membros da Irmandade, oriundos dos Grupos,
todos para serem empossados na oitava CSG, em 1984.
O
encargo de Custódio era questionado porque muitos AAs receavam
o comportamento dos não alcoólicos, principalmente no que
concerne à condução dos negócios da JUNAAB e nas relações
com os Grupos em geral.
Historicamente,
os Custódios em A.A. surgiram com a Fundação do Alcóolico,
na América do Norte, e precederam a estrutura da Conferência
de Serviços Gerais daquele país, que podia receber doações
de fora e os doadores abaterem do Imposto de Renda as quantias
doadas. Com advento dos princípios, em particular das Tradições,
a aceitação dessas contribuições foram abolidas.
Com
a publicação e divulgação do Manual de Serviços, em 1983,
algumas Áreas iniciaram a implantação experimental da Estrutura
de Serviços Gerais, resultando na participação e aceitação
dos RSGs. De sorte que nessa Conferência houve abertura
para explanação sobre a experiência levada a efeito por
essas Áreas, documentada por trabalho escrito e entregue
à Junta de Serviços Gerais.
1984
- O acontecimento relevante dessa 8ª Conferência de Serviços
Gerais, acontecida de 16 a 19/4, conjuntamente com a 8ª
Convenção, em Blumenau(SC), foi a instalação da Junta de
Custódios, com a seguinte constituição: Presidente da Junta
de Custódios - Dr. José Nicolielo Viotti, Custódio Classe
A; Jefferson Baptista de Carvalho - 2º Vice-presidente,
Custódio classe B; 1º Tesoureiro - Professor Joaquim Luglio,
Custódio Classe A; 2º Tesoureiro - Adauto de Almeida Machado,
Custódio Classe B; Secretário Geral - Waldir Ferreira Gonçalves,
Custódio Classe B; 2º Secretário - José Washington Chaves,
Custódio Classe B; Custódios Adjuntos - os companheiros
Lúcio Antônio Pinto, Eduardo Guimarães, Custódios Classe
B.
Nessa
Conferência, houve a abertura para explanação em plenário
sobre a constituição da estrutura de Serviços Gerais de
A.A. na Área de Minas Gerais, feita pelo coordenador da
Área, documentada mediante trabalho escrito e entregue a
Junta de Serviços Gerais naquela oportunidade. A experiência
mineira motivaria os demais Estados - Áreas - a trabalhar
para, igualmente, implantar a estrutura preconizada.
1985
- O Serviço de A.A. ganha força e vigor com a formação da
Junta de Custódio que passa a reunir-se em Baependi(MG),
sob a Coordenação do seu Presidente não-alcoólico, tendo
como convidados representantes nacionais sem caracterização
de encargos.
Na
9ª Conferência realizada em São Paulo, de 1 a 4/4, a Presidência
da Junta, entre os vários informes, ressalvadas as dificuldades
e aproveitando experiências de companheiros que anseiam
em colaborar, cita a criação dos seguintes Comitês de Serviços
da Junta: Finanças, Informações e Relações Públicas, Cooperação
com a Comunidade Profissional, Instituições Correcionais,
Arquivos e Conferência.
Nessa
Conferência foi proposta e aprovada a criação de uma Comissão
Especial para Reforma do Manual de Serviços de A.A. para
o Brasil, composta de dois membros da Área de Minas Gerais,
dois da Área de São Paulo e dois Custódios Regionais, um
da Região Sudeste e outro da Região Centro-Oeste.
Abrimos
um parêntese para a questão "Dinheiro"
Conquanto,
a introdução da Sacola da 7ª Tradição tenha ocorrido no
Brasil em 1952, a auto-suficiência sempre foi precária,
quase nenhuma.
O
desconhecimento dos princípios básicos, e o constante crescimento
da Irmandade no país, nos seus aspectos dinâmicos e doutrinários
estiveram sempre à mercê do arbítrio e interpretação dos
líderes da época, que se incumbiram de propagar, o que persiste
ainda hoje, que em A.A. não se paga nada - ninguém é obrigado
a nada - direcionando enganosamente a liberdade democrática
oferecida pela Irmandade, que sugere que o membro para se
recuperar deve submeter-se aos princípios. Logo, o próprio
membro deve obrigar-se, participando das reuniões, vivenciando
os Doze Passos, exercitando as Tradições, entre elas a Sétima,
no sentido espiritual e material - doando-se espontaneamente,
inclusive com dinheiro.
Devido
a essa falta de informação, membros de nossos Órgãos de
Serviço viajaram por todo o Brasil, conscientizando, divulgando
a Literatura, ao mesmo tempo que angariavam fundos para
a sustentação de nossos Escritórios - CLAAB/ESG.
A
REVISTA
Uma
revista brasileira de A.A. que servisse de divulgação ao
público sempre foi desejada desde os primeiros Conclaves
( hoje Convenção). Nos dias 17 a 19/8/85 a JUNAAB, na 2ª
Reunião de Serviços Nacionais realizada em Baependi(MG),
por sugestão dos Comitês, inclusive os membros dos recém
oficializados Comitês de Finanças e de Literatura, elegeu
uma diretoria e autorizou uma edição experimental: seria
o número "Zero", marco inicial da revista, lançada
em novembro do mesmo ano, em Campo Grande(MS), quando do
Seminário da Região Centro-Oeste, com o nome de Revista
Brasileira de A.A.
A
revista foi um sucesso total e os 5.000 exemplares editados
foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era
viável. Devido a problemas técnicos e editoriais, consoante
apreciação e parecer do Comitê de Literatura da Junta, a
Revista Brasileira de A.A. foi transferida para ser editada
e publicada em Brasília, sob nova direção., com o nome de
"Vivência". Adquiriu um formato bem menor, quase
de bolso e instituiu-se a assinatura anual . Procurava-se
resolver os problemas emergentes . A revista crescia.
Instalada
em Fortaleza(CE) desde l990, passou de 1500 para 4000 assinaturas.
A partir de 1993 passou a ser editada em São Paulo com tiragem
de 8000 exemplares. A partir da 1ª edição do ano de 1994,
passou a ser editada a cada dois meses. A "assinatura
cortesia" foi apresentada pela primeira vez no Editorial
da Revista nº 33 que também trazia um cupom "cortesia"
impresso em suas páginas. Atualmente, a Revista Vivência
conta com cerca de 7.000 assinantes assíduos e uma tiragem
de 10.000 exemplares.
Até
a última revisão do Manual de Serviços, ocorrida em 1995,
onde foram reformulados os Estatutos da JUNAAB, a Vivência
manteve-se como empresa separada, com Diretoria própria,
assim como ocorria com o extinto CLAAB. No entanto, após
essa revisão estatutária, os três Órgãos de Serviços da
JUNAAB fundiram-se numa única empresa e a Revista passou
a ser de responsabilidade de um novo Comitê da Junta - o
Comitê de Publicações Periódicas (CPP) - responsável também
pela publicação do BOB Mural.
1986
- A 10ª Conferência e 9ª Convenção ocorreram de 24 a 26/3,
em João Pessoa(PB). Recomendou-se a sistemática de contribuições
proporcional para os Órgãos de Serviço, assim distribuídas:
60% para Centrais/Intergrupais; 25% para o Comitê de Área
e 15% para a JUNAAB.
1987
- Em São Paulo acontece a 11ª Conferência de Serviços Gerais,
de 16 a 18/4, tendo como assunto de destaque a apreciação
do anteprojeto do Manual de Serviços, adaptado à realidade
brasileira, transformando-se a Reunião Ordinária em Extraordinária.
1988
- A 12ª Conferência e a 10ª Convenção, realizaram-se nos
dias 27 a 29/3, em Curitiba(PR). O assunto prevalecente
referiu-se à reforma dos Estatutos da Junta, seguido das
eleições de Custódios, Delegados à RSM e apresentação dos
relatórios dos Organismos de Serviços da Junta. Fato inédito
foi a introdução de uma Comissão de Avaliação da Conferência.
O
A.A. Brasileiro assumiu compromissos de apadrinhamento de
países africanos como Angola, Moçambique, Guiné, Bissau,
Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, segundo relatou nosso Delegado
à RSM. Esclareceu também que quanto a Portugal o trabalho
está se desenvolvendo a contento e que, de acordo com informes
do CLAAB, já adquiriram mais literatura do que nove de nossas
Áreas.
Os
estatutos da JUNAAB, com nova redação e analisados todos
os capítulos, foram aprovados por unanimidade pela plenária
em sessão extraordinária. Isso posto, incontinente, foi
colocado em discussão e aprovação o Regimento Interno da
Conferência de Serviços Gerais, que identicamente foi aprovado.
1989
- A 13ª Conferência foi realizada em Santos(SP), nos dias
22 a 24/3. Mais uma vez tivemos propostas de Reformas dos
Estatutos, justificadas para atender às exigências fiscais,
considerando que o ESG estava registrado indevidamente como
personalidade jurídica, com CGC, quando esta característica
deveria ser da JUNAAB. Não obstante protestos da minoria,
as alterações foram aprovadas com introdução do Regulamento
da Revista Brasileira de A.A. - Vivência. Houve proposta
para a revisão do Manual de Serviços, de modo que foi criada
uma Comissão composta de quatro companheiros, sendo três
Delegados de Área e um Custódio.
1990
- Realiza-se em Belém(PA) a 14ª Conferência de Serviços
Gerais nos dias 08 a 12/4, simultaneamente com a 11ª Convenção.
Foi recomendado que nos anos entre as Convenções, as Conferências
fossem realizadas na Área Metropolitana da Cidade Sede ou
sua circunvizinha (até 200 Km.).
Em
apreciação pela Plenária, o Manual de Serviços, com a revisão
elaborada pela Comissão Especial de Reforma, foi sugerido
e acatado a supressão dos Capítulos I, este com a ressalva
de permanecer o RSG, e o VI, de título "AS CENTRAIS
ESTADUAIS DE SERVIÇOS CENSAAs " para ser examinado
separadamente, num Encontro Nacional de Centrais/Intergrupais.
O
anteprojeto de Reforma do Estatuto da JUNAAB, após discussões
e emendas, foi finalmente aprovado, em 13/4 e registrado
posteriormente como personalidade jurídica, em Cartório
para esses fins.
A
Junta tratou de estruturar o Escritório de Serviços Gerais
- ESG, de modo que, como Secretaria Executiva da Junta,
possibilitasse o intercâmbio não só entre a comunidade A.A.
mas também com a comunidade não A.A., transmitido e levando
a mensagem da Irmandade.
Para
tal fim foram compostos os Comitês relacionados a seguir:
- Comitê
de Assuntos da Conferência (CAC)
- Comitê
de Finanças (CF)
- Comitê
Trabalhando com os Outros (CTO)
- Comitê
de Informação ao Público (CIP)
- Comitê
de Cooperação com a Comunidade Profissional(CCCP)
- Comitê
Institucional (CI): a)
de Instituições de Tratamento e, b) de Instituições
Correcionais;
- Comitê
de Literatura (CL)
Todos
esses Comitês com atribuições definidas.
CINCO
ANOS DEPOIS
PLANO DE TRABALHO APRESENTADO PELA CONFERÊNCIA
I
Comunicação; II - Modernização; III - Departamento
de Vídeo e Som; IV - Arquivo; V - Estrutura Nacional; VI
- Finanças; VII - Reuniões da Junta ; VIII - Instalações
Adequadas; IX - Custódio Classe "A" Ação; X -
CLAAB ; XI - Vivência; XII - Bob.
A
partir daí os textos das apostilas constituem a História
dos Serviços de A.A. no e do Brasil, acrescidas de informações
referentes ao A.A. Mundial.
ENCONTRO
DE CENTRAIS E INTERGRUPAIS
No
4º Encontro desses Órgãos de Serviços, realizado em Volta
Redonda(RJ), nos dias 13 e 14/10/90, com o objetivo inicial
de se criar um Guia de Normas e Procedimentos que evitasse
pontos polêmicos no funcionamento, formou-se uma Comissão
e se estipulou tempo para apresentação de sugestões.
O
5º Encontro deu-se em Porto Alegre(RS), dias 31/5 e 1/6/91.
Considerando que as atividades de CTO estariam afetas às
CENSAAs/ISAAs, portanto atribuições dos RIs, que compõe
seus Conselhos de Representantes (CRI), formaram-se os Sub-Conselhos
(SubCRIs), com um Coordenador denominado Coordenador do
Sub-Conselho (CSC), nas unidades geográficas dos Comitês
de Distrito para tratar da divulgação da Irmandade, enquanto
os RSGs e MCDs cuidariam de preparar o Grupo para receber
os visitantes, alcoólicos e não alcoólicos, em cumprimento
à Quinta Tradição.
No
6º Encontro nos dias 19 e 20/6/92, em Fortaleza(CE), após
as discussões e emendas, o Guia Nacional de CENSAAs e ISAAs
foi aprovado e confirmado na 17ª Conferência de Serviços
Gerais em Santos(SP), dias 6 a 9/4/93, sendo publicado em
agosto do mesmo ano.
NASCIMENTO
DA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL
A
primeira Conferência de Serviços Gerais do Brasil teve lugar
em Recife(PE) nos dias 05, 06 e 07 de abril de 1977 e foi
organizada nos moldes da IV Reunião Mundial de Serviços
(Nova York, de 06 a 09 de outubro/76), quando o Brasil se
fez representar pela primeira vez.
Esta
representação resultou da criação da JUNTA NACIONAL DE ALCOOLICOS
ANONIMOS DO BRASIL (JUNAAB), em 29/2/76, em São Paulo (durante
o III Conclave Nacional), que já contava com 29 Delegados
Estaduais, representando 15 Estados e o Distrito Federal,
oriundos do antigo Conselho Diretor do CLAAB.
Um
recém-chegado aprende imediatamente a importância do trabalho
do Décimo Segundo Passo, que serve para assegurar a sobriedade
de quem leva a mensagem e como opção para quem a recebe.
De imediato percebe que o referido trabalho é ampliado para
dar origem a Intergrupais, Centrais de Serviços e aos Comitês
de Áreas e Distritos, bem como aos Órgãos de Serviços Nacionais.
Os
SERVIÇOS em A.A., são vitais para o crescimento da Irmandade,
uma vez que vêm suprir as necessidades que transcendem ao
indivíduo, ao Grupo e aos Órgãos de Serviços.
A
CONFERÊNCIA é, portanto, a manifestação da consciência coletiva
dos Grupos através de toda uma cadeia de representatividade,
iniciada pela ação dos Grupos elegendo seus RSGs, passando
pelos MCDs, Comitês de Áreas e Delegados de Área, terminando
na Junta de Serviços Gerais. Para tanto, necessitam-se de
contribuições voluntárias em dinheiro, vindas dos membros
da Irmandade, para que haja um bom funcionamento.
A
Conferência de Serviços Gerais é a depositária da Consciência
Coletiva dos Grupos de A.A. e o órgão máximo e soberano
de deliberação da irmandade de Alcoólicos
Anônimos no Brasil.
PARA
QUE A CONSCIÊNCIA COLETIVA SE MANIFESTE CORRETAMENTE, É
NECESSÁRIO A PARTICIPAÇÃO DE TODOS, EM TODOS OS NÍVEIS DE
SERVIÇOS, DE FORMA QUE A INFORMAÇÃO CHEGUE DE MODO CLARO,
LÍMPIDO, RÁPIDO E PRECISO.
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